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28 de jun de 2008

Carta de Amor (Ah, o amor...)

Porto Alegre, 09 de março de 2007.

“Não sou nada sem ti;
como pude existir sem te conhecer
é para mim inconcebível.”
(Napoleão, trecho de uma carta à Josefina)

My Dear,
Nesses tempos de internet e MSN, o que dizer das cartas manuscritas? E, principalmente, das cartas de amor? Ah, as cartas de amor! Sem elas, a história não teria tanta cor e paixão e seus personagens não passariam de borrões no tempo.
As cartas de amor (e as imagino amareladas, guardadas dentro de livros velhos e empoeirados), levam à comoção mesmo após séculos de esquecimento.
As cartas de amor, são escritas naqueles momentos de loucura fremente, desejo insano, impossibilidades tenebrosas, em que seus protagonistas estão à mercê do destino vaidoso, como uma Julieta, infeliz por um carteiro letárgico.
As cartas de amor, revelam medos e coragens. Medo egoísta e doloroso de se perder quem se gosta de um instante para o outro, de nunca mais vê-lo, ou simplesmente, deixar de ser amado. Coragens vertiginosas de romper barreiras do tempo e espaço, de começar uma luta armada, de atos desmedidos e heróicos, por seu amor.
Centenas de garrafas vazias, litros de lágrimas salgadas, rubras tintas jogadas sobre uma tela pálida da vida, mil redemoinhos de fumaça de cigarro e um buraco no estômago: conseqüências do vírus, esse germe alucinado e febril, que nos ataca de repente.
Uma íris, uma arqueada de sobrancelha, um sorriso que se destaca inesperadamente, de milhões de outras íris mais ou menos belas, mas tu preferes e desejas somente àquela.
Que nos gela o suor, acelera o coração, arranca as defesas, nos atira ora num céu de volúpias ora num inferno de inseguranças frias. Mas, será sempre o Amor, bem-vindo e desejado Amor.
Festejamos ao Amor, pois, sempre e o tempo que ele estiver entre nós, unindo pele e lábios e mãos, sentidos e pensamentos. Mesmo a centenas de quilômetros daqui.

Com amor e saudades sem fim,

Sheyla Amaral

P.S: Adiciono à carta, perfume e beijo, pois, as cartas de amor devem ser sempre cartas de amor.

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