Tradutor/Translator

07/08/2011

Big Bang



Sinceramente, aproveitando um breve momento de parca lucidez, admito: estamos todos fudidos. Se não por doença, velhice, DST, solidão ou loucura, morreremos, certo, ok. Já praticamente aceitamos o fato, apesar da Ciência e toda sua parafernália. Mas, temos nossos descendentes, os quais, apostamos todas as fichas, e acreditamos, com todas as forças, que cada pirralho que vemos brincar na praçinha é a semente do amanhã. Investimos milhões nisso, sempre apostando alto no futuro. Futuro. Algo totalmente incerto e fora de controle. Deve ser por isso que a maioria nem pára pra pensar. E como diz aquela máxima, a voz do povo é a voz de Deus. Enfim, o senso comum, tão esculachado pela Filosofia, começa a fazer realmente algum sentido.
Ficamos nos descendentes, nossa última esperança. Então, começamos a descobrir, que não é apenas nós que morremos. O Sol, vejam vocês, o Astro-Rei, também morre. Antes, claro, ele dilata-se e vai acabar com a última gota de água do nosso Oceano. Sim, isso demorará milhões de anos, e talvez, se tivermos sorte, não teremos acabado com o planeta antes. Ou, tomara, nenhum meteoro esteja em rota de colisão com a Terra. Até lá, imaginamos um planeta como dos Jetsons, com cidades flutuantes, carros voadores e poltronas com 1001 utilidades. E óbvio, os cientistas, esses malditos, já terão descoberto outro planeta habitável para a nossa espécie. Daí é só ir transportando os escolhidos (apocalíptico isso, não?) e o resto, bom, o resto é resto.
Porém, como tudo tem fim, os coitados não terão sossego e assim como Sísifo, procurarão por planetas habitáveis ad aeternum. Até que um dia, há vigesilhões de anos, por fim, viraremos novamente apenas poeira cósmica, esperando por um fabuloso Big Bang.

Conversão




Acordei com vontade de mudar. Mudar tudo, tudo. Cortar o cabelo, usar salto 15, ir morar em Busseto e casar com um pugilista peso-pesado, cozinheiro de mão cheia. Pintar as unhas dos pés de vermelho, tornar-me vegan, "porque meu corpo não é cemitério" - embora um dia, tudo caminhe, locomotoramente, para isso. Aprender tailandês e ser campeã de Liquid Mountaineering. Chamar os amigos nos feriados para mostrar minha nova composição no Theremin. Ensinar aos meus filhos a arte da levitação, pois nunca se sabe quando isso será imprescindível. Tecer longas mantas de lã para o cachorro, porque é frio dormir sozinho. Aprender a andar na corda bamba, que a vida é traiçoeira e lá embaixo não existe cama elástica.


05/08/2011

Siamesas

Minhas irmãs siamesas
acenam ao longe:
Velhice, Solidão e Morte
E são assustadoras.
Preciso fazer algo a respeito
Enquanto ainda é tempo.

06/07/2011

Portas da percepção (Hello, I love You)

Esperta, ela me deu a curva
De Gauss
Degraus
Daquela escada que sobe e desce
(De quem não me quer, Hein?)
Na turbidez dos olhos graníticos
Descoordenada
Gira os pés
E some
Deixando apenas a malícia da termodinâmica
Em minhas veias.