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14 de fev de 2009

Afã



Tentava me lembrar quando a vontade de escrever surgiu. A vontade de ler, eu sabia, lá pelos cinco anos, lendo e relendo “A Branca de Neve”. Mas, onde começou a vontade de escrever, em que ponto, eu senti o impulso que levou a?
Considero o escritor – bom ou sofrível, como o bailarino, o ator, o gourmet, o médico: uma doação em que ele sente prazer em ver o deleite, o sentir-bem do outro. Dizem que a vida não é se não viver em função do outro e qualquer tentativa egoísta não traz a verdadeira felicidade.
Espiritualidade à parte, forcei mais a memória e lá estava ela: a carta. Tinha treze anos, estava na oitava série do ensino fundamental e escrevi uma carta de amor. Anônima e sem destinatário, que deixei propositadamente, esquecida em baixo da carteira, assim que tocou o último sinal.
No dia anterior, havia encontrado um livro esquecido dentro de uma caixa no quarto da minha mãe. Levei até o meu quarto, escondida, e li o romance, rapidamente. Ao terminar a leitura, eu pensei comigo mesma: ‘Puxa vida, mas eu posso escrever melhor que isso...’. Foi quando a mágica aconteceu.
Não foi um sentimento de arrogante petulância. Eu sabia que conseguia. Mesmo. Surgiu, daí, a tal carta que, infelizmente, desapareceu. Lembro que seu teor carregava uma pungente declaração de amor em que eu me esforcei para que o leitor desconhecido tivesse a impressão que se destinava, sem sombras de dúvida, a ele, exclusivamente, não importando o gênero, idade ou situação.
Nunca saberei quem a leu, nem se ainda existe, dobradinha num canto escuro em meio a velhas quinquilharias. Mas, foi ali que nasceu a vontade.

* Barbara Cartland, nasceu em Edigbaston, Birmingham, Inglaterra, como a única filha de um oficial do exército britânico, o major Bertram Cartland, e de sua esposa Mary (Polly) Hamilton Scobell. Barbara foi educada em Malvern Girl's College e em Abbey House, uma instituição educacional em Hampshire. Logo se tornou uma jornalista bem-sucedida da sociedade e escritora de ficção-romântica. Barbara faleceu aos 98 anos, assim como sua mãe, de causa não divulgada. Seu corpo, como havia pedido, foi enterrado em sua propriedade em Hatfield, abaixo de uma árvore plantada pela rainha Elizabeth I da Inglaterra.

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