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3 de dez de 2010

Careta

Conceitos são coisas que dançam conforme a música. O vaselina dos verbetes. Quer ver um exemplo? Conceitue "careta":
Alguns anos atrás, ok vamos lá, umas três décadas. Careta eram os caras que não curtiam rock, que não se entupiam de droga e não transavam a doidado com todo mundo, sem nem lembrar do(s) gênero(s) no dia seguinte (?). Tocando mais um século pra trás, careta era o retrógrado, que não aceitava a ciência e que acreditava que só a religião poderia guiar a humanidade.
Hoje, não tem mais essa de careta x moderno. Está tudo misturado, de modo que careta, cafona e "muderno" pode coexistir numa única pessoa denominada "eclética". Eclética é uma palavra cafona.
Careta é encher a cara e sair dirigindo com um Porsche à 180km/h e virar churrasco. Careta é passar os outros pra trás e se achar o cara. É sustentar o tráfico e assistir Tropa de Elite achando que é osso duro de roer, e depois ser morto por um par de tênis na esquina por um zumbi do craque. Careta é viver no cheque especial pra mostrar aos outros que está sempre na moda, que tem o carro do ano, que vai pra praia no verão e pra serra no inverno. Careta é fingir orgasmo. É fingir qualquer coisa. Careta é achar que tudo é oba-oba. Que se é jovem pra sempre. Careta é não ter empatia, não se ver no outro. É o modismo, o todo-mundo-faz e o 'tá-se-usando-agora.
De qualquer forma, ser careta é sempre pejorativo, não importa quão moderninho se exerça a função.

2 comentários:

  1. Hahaha! Eu sou careta das antigas, mas pela sua descrição do careta atual, fica difícil livrar alguém dessa alcunha. Todos caretas!

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