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2 de jul de 2008

Relógio

Obeliscos de pedra no Mediterrâneo, clepsidras, ampulhetas e gnômom. Galileu e sua luneta a vasculhar o espaço, descobrindo a nudez de Júpiter e suas luas. Milhares de anos para o homem erguer-se em dois pés e dividir seu tempo em luz e escuridão, dia e noite, horas, minutos, segundos e milésimos.
“Carpe diem”, já dizia Horácio, sim, aproveite seu dia. E sua noite, também. O tempo flui, é cíclico, contínuo. Podemos projetar o futuro, mas não, voltar ao passado – ao menos, por enquanto.
Da Renascença, o relógio mecânico, depois, o cronômetro, silvando mares, desbravando virgens terras, tudo sincronizado, exato, preciso. Do relógio de quartzo ao relógio atômico: capaz de detectar sua alma perdida na Floresta Negra ou em alguma ilhota do Pacífico Sul.
Mas, não podemos parar o tempo. É uma desgovernada locomotiva, soltando fumaça, enraivecida. Atropela, sem pedir licença, te muda de lugar, te leva embora. Podemos tentar pará-la; podemos simplesmente, olhar a paisagem da janela. Mas não podemos fugir dela.
E a garotinha ainda pensava, tentando responder corretamente a pergunta de seu avô, de que horas eram, em frente ao imenso relógio-cuco, da parede em frente, naquela noite suave e morna, em alguma casa do balneário russo de Sotchi, no Mar Negro, pensando que o tempo demora a passar.

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