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22 de jun de 2008

Kên*

No princípio, era Kên. E Kên, sentindo-se incompleto e só, ajudou o primeiro organismo vivo. Sabia, em sua infinita sabedoria, que ele evoluiria, fluiria na correnteza do tempo. Depois, assustou-se de seu feito, e com muito temor, abandonou-se à outros mundos, em busca de outros seres, menos bárbaros.
E o homem, descobriu-se então, sozinho, largado à deriva. Passou, por fim, a chamar a Kên de "Deus".
Kên tornou-se deus pela necessidade de gratidão e incompreensão humana. Por ter ajudado a descobrir o poder da natureza e da inteligência. E por omitir-se quando mais se precisava Dele.
Hoje ainda não aceitamos este gesto incompreensível à pobres e débeis mortais; por isso juntamos nossas palmas e imploramos pelo amor de Kên; mas Ele tem ouvidos moucos.
Ao longo dos séculos deram-se muitos nomes e signos à esta figura suprema e misteriosa. Títulos esses, muitas vezes, pautados em interesses, ambições e incertezas de um povo. Escreveram-se histórias à respeito de Kên, inúmeras, com o combustível imaginário de homens atormentados e vazios.
Porém, o que se sabe é que a origem oriental deste nome é aceitável, tendo em vista que o Oriente é o berço das mais antigas civilizações que se tem ciência. E, lógico, não se pode negar sua poderosa influência, pois, mesmo distante, faz-se presente, desde outrora até a atualidade, perpetuando-se através das eras, justificando gestos gloriosos e massacres hediondos.
Enquanto isso, os grandes mares da humanidade, revoltam e espumam, agitam-se furiosamente, à espera de uma brisa leve, onde possam avistar um horizonte tranqüilo.
Quem sabe, então, libertem-se desse Deus, um tanto quanto, apático. "Ko veda"?**

*Um dos trigramas centrais do I Ching, significa "A quietude, A montanha".
**Do latim: "Quem sabe?"

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