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27 de ago de 2008

"Mas quais são as palavras que nunca são ditas?"

"A conclusão terrível que vinha se impondo gradualmente sobre minha mente confusa e relutante era agora uma certeza aterradora."

Assim começa "A fera na caverna", conto de horror de um garoto de 15 anos, com data de 21 de abril de 1905. O que segue é um texto muito bem escrito, com estrutura, argumento, clímax e êxtase. Fiquei pensando, com o livro aberto sobre as pernas, olhando pela janela, que seria muito bom se as pessoas se esforçassem um pouco para, nem digo escrever - como o genial Howard Phillips Lovecraft, aos 15 anos - mas ao menos, falar, manter um diálogo, decente, inteligível, com argumento, diariamente.
Um vocabulário mediano de um pouco mais de 30 mil palavras e insistimos em falar sempre as mesmas coisas. Repetimos o mesmo texto várias vezes, só mudamos os personagens e o cenário. Sem contar aquelas interjeições, gírias e jargões que, quando menos esperamos, salta da boca.
Cada palavra tem um som, um encontro vocálico saboroso e com um pouco de imaginação, viajamos no tempo e no espaço, quando o escritor se transforma num portal mágico.
E uma coisa muito notável é que, não importando a aparência, posição social ou a idade que o interlocutor venha a possuir, se ele se expressa de maneira inteligente, clara, suas idéias já passam a ser consideradas com mais atenção. Aí também se encaixam os verborrágicos, que de maneira alguma devem ser confundidos com alguém que saiba falar, realmente. O verborrágico não tem noção sobre o que está falando, quer apenas impressionar e naufraga na superfície, se afogando em frases sem nexo.
A enxurrada de informações de hoje, que por um lado é fantástica, por outro, não está ajudando muito: até trabalho de faculdade é mais fácil usar Ctrl+C e Ctrl+V.
Porém, não perco as esperanças e creio que haja alguns guris de 15 anos por aí que usem mais do que o "internetês" em seus textos e falas diários.

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