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4 de abr de 2009

E o Amor que tu me tinhas, era pouco e se acabou

Sempre hesitei em falar sobre o Amor. Talvez por medo que ele se fosse no ponto final, então, eu deixava sempre na hipótese. Falar de Amor é meio como falar de Morte e Renascimento, só que cada vez que se renasce fica faltando um pedaço e daí, se tem medo de morrer de novo.
Às vezes, penso no Amor como em Deus: uma experiência metafísica que só faz sentido para quem crê. E é bom ver a Fé nos olhos de alguém.
Quem não ama, ao contrário, possui uma luz mortiça a qual vai sombreando tudo em volta com uma desconsolada esperança semi-morta.
As coisas são porque são. Não há nenhum motivo mágico por trás do brilho das estrelas e as histórias que se tecem sob o fundo do Amor só têm significado porque queremos que tenha. Aquele banco no parque, aquela mancha na camisa, o arranhão nas costas. São coisas sem significado que enchemos de ternas recordações, mas que no fundo, não dizem absolutamente nada por si só. Pequenas autoflagelações.
O Amor quando nasce parece premio de consolação pelo tempo em que se esteve perdido num deserto de ansiedades. É uma convulsão que embaralha toda a estrutura molecular e resulta em catástrofes superlativas das emoções. Elas – as emoções - que estavam trancafiadas no estábulo atemporal do cérebro fogem desembestadas em todas as direções sem objetivo aparente a não ser o de acabar com a Razão capataz. E todo o resto fica à mercê das conseqüências. E essas são muitas e por vezes insuportáveis.
Quem sabe se pudéssemos sempre nos vermos por dentro, alguns se surpreenderiam com a quantidade de chagas e feridas abertas sob sorrisos polidos e olhares impassíveis. O Amor arrebata, assusta, despedaça, causa dependência, adoece, mata e morre.
Dizem que há criaturas que nascem sem esse descontrole, espécies de querubins que não conseguem amar. Conservam apenas certo desejo, misto de inveja e curiosidade, para sentir o que não fazem nem idéia. Claro, conseguem outra espécie de sentimento ambíguo e simbiótico, mas nada parecido com o Amor. Alguns se contentam com isso.
Dizem também, que o Amor em doses regulares e parciomoniosas aumentam a capacidade de sobreviver ao Caos; uma espécie de fuga quase virtual e narcótica, porém, benéfica. O Amor também é recomendado aos artistas e crianças – há nos dois casos um apelo lúdico. Tem quem ame loucamente a natureza ou seu próprio umbigo, só que nesse último caso, não pega bem amar tanto assim a si próprio, já dizia Narciso.
Deve ser porque é muito fácil e conveniente e o Amor requer desafios.
E, finalmente, como todo sentimento intangível, o Amor requer súplicas e sacrifícios diários, pois é caprichoso e pode nos abandonar a qualquer momento, como um Deus jovem e rancoroso.

2 comentários:

  1. Escreves bonito sobre o amor...relembro-te uma coisa poderias falar a lingua dos homens, poderias falar a lingua dos anjos...mas sem amor não serias nada...amor á seria, puro, honesto, sem medo, que arrisca, se ferra...mas sobrevive sempre e alimenta-nos...não receis ama sempre, mais e mais. Hoje vou escrever pedrinhas e sei quem vai participar na história.

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  2. Li seu blog pela primeira vez e a impressão que tive é que trata o amor com a profundidade com que escreve sobre ele. Isso é belo.
    Tenho a sensação de que o amor não nos abandona, apenas parte para um caminho diverso do nosso, ainda que contra a nossa própria vontade.

    Encontrei seu blog do Cafofo da Anna, pois coincidentemente estou lendo o mesmo livro que você (O Segundo sexo - Simone de Beauvoir), e gostei daqui...espero voltar!
    Boa semana pra você...

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